Taxa de juro implícita nos contratos de crédito habitação aumenta no último ano

Os dados foram publicados na passada segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). De acordo com o relatório, a taxa de juro total implícita do crédito habitação total passou para 1,065% em Setembro, um aumento de 0,022% face aos 1,043% do ano passado. Da mesma forma, o valor médio da prestação em relação ao total de crédito habitação subiu cinco euros.

No entanto, ao olharmos para o indicador que avalia os contratos fechados nos últimos 3 meses, verifica-se uma redução da taxa de juro implícita para 1,249%, valor que se encontrava em 1,444% no período homólogo. Esta redução não se traduz, no entanto, no valor médio da prestação paga face a estes contratos, que registou uma subida de 315 euros (Set-2018) para 327 euros (Set-2019), uma variação de 12 euros.

Este aumento é explicado pelo aumento médio do capital em dívida, que em contratos fechados nos últimos 3 meses que passa de 99 342 para 105 078 euros. Este aumento é também reflectido no capital total concedido dos créditos habitação, que regista um aumento de 52 173 (Set-2018) para 53 213 euros (Set-2019).

Crédito habitação com taxa de juro negativa até 2025

A meio de Setembro passado o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, anunciou uma nova ronda de estímulos e um corte da taxa dos depósitos de 10 pontos base para 0,5%, a taxa a três meses nos contratos futuros é colocada em -0,165%, e assim os novos cálculos mantêm as Euribor em valores negativos até Junho de 2025. Esta previsão actualiza a anterior, que estimava o regresso da Euribor a valores positivos em Março de 2024, depois de nove anos a negativo, de acordo com o Jornal de Negócios.

O BCE anunciou ainda um corte na taxa dos depósitos e a manutenção da taxa de referência em 0%, assim como o arranque de um novo programa de compra de activos, no valor de 20 mil milhões de euros mensais, com início em Novembro.

Bancos obrigados a devolver aos clientes

A publicação Dinheiro Vivo menciona ainda que nas situações em que a Euribor é superior ao spread, os bancos estão obrigados a devolver aos clientes o diferencial negativo. A DECO – organização de Defesa do Consumidor – indica que no ano passado foram devolvidos cerca de 1,8 milhões de euros, referentes às taxas Euribor negativas.