Função pública trabalha menos e sector privado trabalha mais em Portugal

Os horários de trabalho em Portugal são um caso de extremos. Enquanto a Função Pública é das que trabalha menos, o sector privado em Portugal é dos que trabalha mais face à média Europeia. A notícia é divulgada pelo Jornal de Negócios da passada quinta-feira, que cita os dados publicados pela Eurofond – Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e Trabalho – no relatório “Working Time in 2017-2018”.

A análise considera a evolução de contratos colectivos num universo de 721 mil trabalhadores. Portugal apresenta um superior número de feriados, face à média europeia, e um número inferior de dias de férias.

No global, Portugal encontra-se na 17ª posição na estimativa de tempo normal de trabalho anual no sector privado, num conjunto de 29 países.

Função Pública em Portugal apresenta dos períodos de trabalho mais curtos da Europa, com 35,6 horas, logo a seguir ao horário é o mais curto, em França, com 35 horas. A média da Função Pública na União Europeia situa-se nas 37,6 horas.

Por outro lado e segundo os dados publicados no relatório, o sector privado é em Portugal dos que mais trabalha face à média europeia. De acordo com os dados publicados relativos a 2016, a média da jornada laboral é de 39,4 horas no privado, bastante acima da média da União Europeia que se situa nas 38 horas. Quando analisadas as horas trabalhadas incluíndo as horas extraordinárias, verifica-se que Portugal é um dos países com mais horas, com uma média de 40,8 horas, contra 40,2 na União Europeia.

Portugal destaca-se assim por ter um dos horários da Função Pública mais curtos da Europa, em contraste com os horários mais longos da Função Pública.

O tempo de trabalho não é actualmente uma das preocupações europeias, mais focadas em questões como as alterações climáticas e imigração. Em Portugal, vários partidos apresentaram diversas propostas em relação a esta questão, sendo defendido por vários partidos a redução do horário laboral para as 35 horas semanais e a reposição dos 25 dias de férias.